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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Me.die.val = Medida Digestiva dos Vassalos

    Desejo trabalhar menos, mas quero ganhar bem mais. Insano ? Não, no universo paralelo da Terra Bras-ilha. Lá, tira-se dos menores e acrescenta-se ao ócio dos políticos; dois anos a mais, sem esforço. Moleza !
    Analisemos. Quem é o "Menor infrator" ? Cresce, a maioria, na pobreza. Enxerga o mundo pela luxúria das novelas. Sente o gargalo entre sua miséria e a riqueza de Ipanema. É marginal, mesmo calado. Frusta-se. Sente raiva. Precisa lutar. A síndrome de "Robin Wood" é ativada. Uma faca muda sua realidade. Agora, coloca Nike no pé e IPhone no bolso. É um herói.
    O "inimigo" reage. A população precisa de respostas. O plural dos Susseranos é raso, suas ações são ágeis e vazias. Como cavaleiros templários, combatem violência com mais violência. Menos na rua, são mais detentos para fraudar licitações. Dois coelhos, uma pedra.
    A mão pesada do Estado cai nos menores. Agora, o sol nasce quadrado. Dentro, odeiam mais.  A sede de vingança é institucionalizada. Os professores do crime treinam bem seus pupilos. Eles crescem moldados no sofrimento. Agora, o mundo ficará a seus pés. 
    O tempo passa. Novas gerações surgem. A vida é diferente. A violência pontual torna-se caos. A sociedade perdeu sua substância. A adolescência é anulada. Agora todos são igualmente brutais e sem o direito de corrigir equívocos. Perfeito. Com a miséria, os Donos do Mundo concluem seu plano de imbecilização das massas. Pensar é uma lenda há muito perdida.
    O Estado brasileiro é anacrônico. Como senhores feudais, controlam de cima para baixo, ao invés de servir a sociedade. Existem numa esfera própria, aonde a pilhagem dos Vassalos é alimentada pelo prazer além do sexual, num processo masturbatório coletivo. 
    Desenhe uma linha vermelha. Aonde você quer estar hoje e seus filhos amanhã ?
 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

P.U.T.A = Profissionais Urbanas Trabalhando no Atacado

     Passo todos os dias e as vejo na rua... Indecencia ! Odeio putas. A idéia de ganhar dinheiro, com sexo, é horrivel. Imagine se produzir, ser desejada e te pagarem pelo seu tempo !
     Gosto de ler. Piranhas sempre existiram. Nenhuma civilização conseguiu extermina-las. Deviam matar todas.
     Entre odiar e viver, eu vou em algumas baladas. Primeiro, estouro o cartão no shopping. Depois,   vou no salão, fazer cabelo e unha. Em casa, tomo um longo banho. Começo com um salto alto, de piranha, que deixam minhas pernas torneadas. Então, coloco um sutiã com enchimento, homem adora. O toque final é o vestidinho, embalado a vaco, afinal, nem sempre preciso respirar.
      Todos os dias as prostitutas estão lá. Vadias ! São tantas. A própria sociedade consome seus serviços. Não importa, quero curtir !
     Na festa, passo no bar, tomo algumas para abrir a noite. Então, já meio alta, vou para a pista. Rebolo muito. Ai, vou só sacando os carinhas. Eles vão vindo, vou beijando ou mandando embora.
     Já no final, escolho um bem gato. Vamos para o Motel. Lá, tiro a bolsa, despenteio o cabelo, suo, desço do salto, perco o sutiã e subo o vestido. 
     No dia seguinte, o conto de fadas termina. Nos despedimos. Trocamos telefone, só por trocar. Volto a rotina; casa, trabalho, chopp. Fico rezando para a semana passar logo.
     E as piranhas... sempre na paisagem. Ódio !
     Comecei a namorar. O "Carinha da Balada", agora, tem nome: Mauricio. Alto, lindo, gato. Nos vemos nos fins de semana. Ficamos juntos 7 meses. Agora somos noivos. Casamos. 2 filhos. 
     Eu engordei um pouco. Ele ganhou uma barriga de cerveja. Tudo é sempre tão igual. Era feliz e não sabia. Casamento vai mal. Suspeito dele. Fui atrás. Peguei ele com outra ! E ainda é Garota de Programa ! Malditas Putas !
     Seria tão melhor se o mundo fosse como gostaríamos, não como de fato é. Eu poderia ficar sempre bonita. Poderia ser feliz eternamente. Não precisaria trabalhar. Bem, aceito como as coisas são. Vamos adiante.
     Criei uma curiosidade enorme sobre ela. Fui conversar com a Prostituta. Surpreendi. Ela é inteligente, bonita e educada. Perguntei: "Por que faz isso" ? Sua resposta foi incrível: "Sou honesta".
     Daquele ponto em diante, "Puta", "Piranha", até mesmo "Prostituta" viraram palavras pesadas. Revi minha vida. Errei tanto. Me odiei. Entendi que o Ódio é maneira mais fácil de aceitar, o que não entendo. Se ela é honesta, sendo marginal, seria eu desonesta por ser normal ?
     Pensei eu, dignidade, talvez, seja o elemento que falte. Talvez elas não sejam "outras" e sim tudo que eu não posso ser, porque não me esforço. Hoje, entendo, a realidade é o que faço dela.

     Transformei. Larguei a casa, o trabalho, só mantive o chopp. Faço ponto de terça a Domingo. Venha me conhecer. Isso vai mudar sua vida.


Puta